O paradoxo idealista de Fidel

Ainda antes do homem se conhecer como ser racional, na idade das cavernas, já se existia o culto ao mais forte. Entidade aquela considerada iluminada, sábia, referência a ser seguida por todos do seu clã. Este respeito e veneração era instintivo, pois o indivíduo, seja o contexto que esteja, sempre se viu na necessidade de ser liderado. A história da humanidade está repleta de definições e modelos que podem ser colocados neste contexto: Júlio Cesar; Gandhi; Napoleão; Roosevelt; Vargas; Mandela. Líderes que redefiniram a maneira da sociedade pensar e se comportar. Até mesmo aqueles que podemos considerar como contraditórios possuíram papeis que tencionaram e traçaram mudanças na forma de enxergar e reparar a sociedade. Fidel Castro foi uma delas.

Figura emblemática, Fidel Castro era um homem de admiradores incondicionais e de críticos inexoráveis. Indivíduo de carisma extraordinária e antipatia antagônica, Fidel se despede levando consigo uma esquerda lustrosa e iluminada que, como qualquer outro regime político, acabou se corrompendo pelas mazelas do autoritarismo. fidel-castro-wikimediaUm verdadeiro e eloquente conto de fadas que se afogou sob o seu próprio despotismo. Considerável por aqueles que o conheciam como afável no trato, Fidel deixa-nos o sonho de uma sociedade igualitária, embora tenha tomado outros caminhos. Homem de convicções, contundente nas suas teses de governança, pecou no seu ideal de democracia, não permitindo avanços na liberalidade de classes sindicais e de imprensa em seu país. Cuba, hoje, continua pobre e dependente da benevolência global.

No seu processo de governança, notabilizou-se com uma série de programas sociais e de acesso universal a saúde. A taxa de analfabetismo caiu drasticamente em sua gestão e o esporte tornou-se o alicerce da sua imagem política. Parceira da antiga União Soviética, Cuba isolou-se após sua fragmentação, dramatizando ainda mais a sua situação econômica. Hoje, o país caribenho é o símbolo maior de uma era utópica que já passou. Insistir nos velhos erros marxistas não levará mais o país ao progresso. Uma readaptação é necessária, agregando os programas assistenciais que deram certo – em seu governo – com a simplicidade de um sentimento igualitário presente em suas intenções de prosperidade.

Fidel foi um líder que emocionou aos mais jovens, especialmente com seu discurso de sociedade igualitária. Sobretudo, a sua morte não levará do país as práticas de desrespeito aos direitos humanos que ficarão eternamente marcadas na carne da população cubana. A herança que ele deixa pode ser contraditória, no entanto ele acreditava nas ideias que defendia tornando-o um homem verdadeiro. Ludibriado pela ganancia do poder político, seu ideal de sociedade fraterna fracassou. Sua morte marca o fim de um ciclo daquilo que conhecemos como arbitrariedade de boas intenções, porém irrisoriamente má conduzida.

Leonardo Patikowski,

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