Que Deus tenha piedade destas almas.

A fé é algo muito particular de cada um. Embora cada indivíduo tenha a sua própria forma de demonstra-la, cabe haver respeito mesmo que no outro lado exista um alguém contrário as nossas crenças. Quando o assunto se pontua em crenças o cuidado deve ser maior. Certa vez, me deparei com uma situação irrisória para os padrões que estou acostumado. Um certo dia, quando trabalhava para o administrativo fabril de uma empresa, atendi um colaborador. Na oportunidade um jovem, com seus pouco mais de 20 anos, da igreja das testemunhas de jeová veio até mim com toda delicadeza:

– Posso te fazer uma pergunta?
– Claro! – Respondi.
– Tu acredita em Deus?

Fiquei um pouco surpreso com a pergunta. Como bem falei, no início desta resenha, a fé é algo muito particular de cada um. Ela é a essência que nos faz guiar, no sentido de dar margem para a nossa existência.

– Possuo a minha própria forma de acreditar em algo maior.

O rapaz, sorridente começou a aprofundar o assunto:

– Pois então, sabe que ele é poderoso. Ele é capaz de tudo.

Assuntar sobre esse tipo de tema, especialmente em um ambiente fabril, me soava um pouco estranho. Não era comum esse tipo de dialogo para tal local. Entretanto, uma situação me deixou estapafúrdio. Algo que marcaria muito a minha vida:

– Acredite nele, com fé, que pode ter certeza que a sua mãozinha vai crescer. (Para quem não sabe, possuo uma má formação congênita na mão direita)

Sem reação alguma, em um misto de não saber se ria ou ficava mudo, após um longo silêncio respondi:

– Há muita coisa que a ciência explica.

Mas, para a minha surpresa, o rapaz continuou no assunto sem perceber meu profundo constrangimento:

– Acredite nele, pois é ele que tem o poder da salvação.

Não estou aqui para duvidar do poder divino, seja qual for ele. O que eu quero dizer é que somos facilmente influenciados pelos núcleos de convívio. Uma vez inseridos, mais nos tornamos uma extensão, parte, deles. Logo, a teoria mais absurda que tu possa ouvir pode ser uma verdade. Aqui eu chego em um contraponto: Até que ponto uma inverdade pode ser verdade? Este é um assunto complicado e ele vai muito da essência do quanto nós somos capazes de crê-la.

kqoodlExiste uma teoria da comunicação que aborda bem isso. O teórico comunicacional francês Guy Debord elaborou um conceito bastante difundido nas faculdades de comunicação do mundo. Ela se chama: “Sociedade do Espetáculo”. Ela surgiu, pela primeira vez, na década de 1960 e explica o quanto certas inverdades podem parecer uma verdade. A imagem, enxergada por esses núcleos de indivíduos, não possui margem para múltiplos entendimentos. Ela é condicionada a um único significado. Logo, há somente uma verdade absoluta que torna aquele símbolo um objeto único magnificando, cultuando-o, por meio da ilusão. Pode parecer complicado explicar e compreender a teoria, mas o que eu quero dizer é que estes tipos de indivíduos – que fique claro, não me refiro a todos os jeovás – não compreendem o mundo que o circundam, acondicionando-o suas ideias, exclusivamente, aos seus núcleos de convivência sem margem para as experiências externas. Neste universo, o senso comum prevalece. Aqui entra um pouco do conceito do “Mito da caverna” de Platão, mas daí estarei condicionando o assunto para o lado da filosofia que não é a minha proposta nesta resenha.

Este conceito de querer compreender somente a si mesmo, não admitindo chegar a outras conclusões, fazem de algumas religiões uma curiosa e cômica fonte para piadas estapafúrdias nos atuais meios. Não foi a única vez que isso me aconteceu. Tive, inclusive, mais de uma situação constrangedora com a mesma e pequena visão de mundo deles. Ser deficiente, não significa ser possuidor de uma malograda enfermidade, de uma praga, colocada pelo dito “coisa ruim”. A ciência explica muita coisa e crer em Deus não fara em nenhum momento a minha mão crescer forte e feliz. Acreditar em algo maior, para justificar as nossas crenças é uma coisa. Utiliza-las para uma patifaria constrangedora é outra. Que Deus tenha piedade destas pobres almas. Amém!

Leonardo R.,

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