A tirania da intolerância

A civilização humana, desde os seus primórdios, nunca foi moldada a base de paz e amor. Para tanto, fomos formados, e banhados, a base de sangue e guerras. O equilíbrio humanista entre o que é certo ou errado é, e sempre foi, um dos temas mais discutidos pela sociedade. Viver sob os olhos da intolerância tornou-se, infelizmente, algo comum, em uma sociedade opressora e individualista.

Recentemente tivemos o caso do casamento de duas jovens, do mesmo sexo, que uniriam matrimônio dentro de um centro tradicionalista gaúcho (famoso CTG). Contudo, a repercussão foi tamanha que causou incômodo a certos núcleos da sociedade que vieram a criticar a atitude do CTG – por ceder o espaço para tal evento – e das jovens por exporem “ao ridículo” a tradição gaúcha. Porém, na madrugada do dia 11 de setembro, o CTG Sentinelas do Planalto, situado na cidade de Santana do Livramento/RS, foi criminosamente incendiado pelos inquisidores modernos que insistem acreditarem, ainda, em uma sociedade pura e incorruptivél. Inibir algo comum dentro de uma sociedade moderna beira a patetice, uma vez que o amor está acima de qualquer regra, crença e opinião de outras esferas. Impor, radicalmente, de forma abrupta um pensamento neandertal, impedindo que dois seres do mesmo sexo sejam felizes, empobrece ainda mais uma sociedade arranhada pelo viés do preconceito e da intolerância. Inclusive, intolerância, termo bastante empregado nestes últimos anos em nosso país.

Estranho seria não amar! <3 - Créditos pela arte Epifanias/ Franciele Arnold (facebook.com/asepifanias)

Estranho seria não amar! ❤ – Créditos pela arte Franciele Arnold/Epifanias (facebook.com/asepifanias)

O Brasil sempre foi visto, fora de seus domínios, como uma terra acolhedora da diversidade, da miscigenação de etnias, da multiplicidade religiosa, contudo, isto não passa de uma visão errônea. Chegamos a imbecilidade de negar a um “desconhecido” o direito de ser feliz, pelo simples fato de ser homossexual. Não só isso, mas também ridicularizar um atleta por ser de cor ou estabelecer indiferenças para um deficiente se integrar a sociedade. A que ponto o nosso país chegou? Gostaria de estudar sociologia para compreender este enlouquecedor fenômeno que adornam negativamente os corações destes cidadãos (se é que podem ser chamados).

Possuo diversos conhecidos(as) que são felizes pela sua opção, assim como, todos o dias sofrem, de alguma forma, este preconceito. Como podemos inibir esse pensamento defasado se somos liderados por mentes arcaicas e ultrapassadas? É preciso amadurecermos como sociedade e analisar o quanto é importante pensarmos, nestas horas, com o coração. Estamos em uma inquisição moderna, sem direção, beirando um precipício berrante onde ecoam os ecos de um passado preconceituoso. Perdemos, como sociedade, uma grande oportunidade de apreender com os erros do passado. Aos intolerantes recalcados, vida longa e prospera, pois o amor vencerá qualquer ato de tirania.

Leonardo Patikowski,

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