A apropriação que molda o mundo

As constantes miscigenações culturais do passado ajudaram a formar a identidade e crenças do nosso mundo contemporâneo. Isto concatenou o atual cenário que vivemos, seja ele político, religioso ou social. Há quem insista em não reconhecer, mas a nossa vida é uma apropriação cultural. Ou você acha que nossos hábitos e costumes não seja algo do tipo? É leviano questionar alguém pelo uso de determinado apetrecho, com este fraco argumento.

Vamos a reflexão: Por acaso você, moça, já se questionou que o baton que usa – este mesmo que remonta ao antigo Egito – é uma apropriação cultural? E você, rapaz, que usa coques estilosos – os mesmos que os antigos orientais ostentavam – parou para pensar que o seu estilo é, também, uma escancarada apropriação cultural? Nossa vida é remontada, alicerçada, em apropriações, mesmo que indiretamente, de costumes de outras culturas. O caso mais emblemático é do nosso carnaval. Embora, ele tenha um pouco de várias culturas, sua origem sublima-se das antigas festividades ritualísticas gregas em homenagem aos deuses. Logo após, culturas como a romana e egípcia apropriaram-se da cuja celebração, moldando-a através dos tempos, até chegar ao nosso país através de uma festividade católica portuguesa. Parou para pensar que isso foi uma TREMENDA apropriação cultural?

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Dizer que o uso de um turbante (polêmica que rola nas redes sociais), ou algo do gênero, descaracterizará uma determinada cultura, não deixa de ser uma inverdade. Mas longe disso, a cultura não perde a essência. Ela continuará intocável, servindo como base para a modelação de uma outra ramificação social. Se algo irá mudar, será a cultura que a recebeu. Alou, isto é interdisciplinaridade. O mundo é uma esfera em constante transformação e utilizar estes elementos nada mais é que manter nossa identidade humana ainda viva. Isto reforça, ainda mais, a importância que a cultura tem para a humanidade. É ela que continua a nos moldar e as apropriações a formar novas maneiras de enxergarmos o mundo. Ah, vale frisar que a origem do turbante é desconhecida, mas sabe-se que já era usada no oriente muito antes do surgimento do Islã. Então, podemos dizer que as culturas de matriz africana também se apropriaram dela, não é? O mundo, por si só, é uma imensa apropriação cultural.

Leonardo Patikowski,

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Chapecoense: A equipe que tocou o céu

Uma terça-feira incomum alvora, abalada pelas informações que acometiam as primeiras horas da manhã de um fatídico 29 de novembro de 2016. A tragédia com a delegação da Chapecoense entristece o país e, especialmente, os amantes do futebol. Um time que representa o destemido sucesso de um desmedido interior brasileiro, que figurava a garra daqueles que lutam pelos seus ideais, que faziam daquele pequeno Davi um gigante entre dezenas de Golias.

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Muita querida pela comunidade de Chapecó, o menino prodígio do futebol brasileiro lutou contra tudo e contra todos. Quase foi extinto antes da sua ascensão meteórica da série D, em 2009, para a série A, em 2014. Uma equipe referência em organização e gestão que representava o futuro e um ideal diferenciado de futebol. Este verdadeiro conta de fadas desportivo encerra-se precocemente, pouco antes da maior das suas partidas. Justamente, quando a equipe tocou os céus. Partida, aí está uma palavra quão relativa que hoje nos remete, incomensuravelmente, ao verbo partir. Partiu, inevitavelmente, o futebol brasileiro naquele avião. Doí na alma a dimensão dos acontecimentos. A Chapecoense é a síntese da grande família interiorana brasileira, onde há um envolvimento muito forte da comunidade que com orgulho abraça o seu bem-maior. A felicidade é trocada pela consternação.

Não há como achar palavras, quando em uma tragédia há figuras queridas. A morte é a grande sacanagem da vida, ainda mais quando ela está diretamente relacionada ao esporte.  Às vésperas de um duelo que unia as torcidas de todas as equipes do país, numa final que havia clima de festa, na sua gloria maior a Chapecoense se foi. Consternado, desalentado, destroçado. O que resta é minorar o sofrimento de uma comunidade interiorana que lutou bravamente para chegar onde chegou. Bravos guerreiros Condás, vocês chegaram ao seu ápice, se tornaram lendas. Força chape.

Leonardo Patikowski,

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O paradoxo idealista de Fidel

Ainda antes do homem se conhecer como ser racional, na idade das cavernas, já se existia o culto ao mais forte. Entidade aquela considerada iluminada, sábia, referência a ser seguida por todos do seu clã. Este respeito e veneração era instintivo, pois o indivíduo, seja o contexto que esteja, sempre se viu na necessidade de ser liderado. A história da humanidade está repleta de definições e modelos que podem ser colocados neste contexto: Júlio Cesar; Gandhi; Napoleão; Roosevelt; Vargas; Mandela. Líderes que redefiniram a maneira da sociedade pensar e se comportar. Até mesmo aqueles que podemos considerar como contraditórios possuíram papeis que tencionaram e traçaram mudanças na forma de enxergar e reparar a sociedade. Fidel Castro foi uma delas.

Figura emblemática, Fidel Castro era um homem de admiradores incondicionais e de críticos inexoráveis. Indivíduo de carisma extraordinária e antipatia antagônica, Fidel se despede levando consigo uma esquerda lustrosa e iluminada que, como qualquer outro regime político, acabou se corrompendo pelas mazelas do autoritarismo. fidel-castro-wikimediaUm verdadeiro e eloquente conto de fadas que se afogou sob o seu próprio despotismo. Considerável por aqueles que o conheciam como afável no trato, Fidel deixa-nos o sonho de uma sociedade igualitária, embora tenha tomado outros caminhos. Homem de convicções, contundente nas suas teses de governança, pecou no seu ideal de democracia, não permitindo avanços na liberalidade de classes sindicais e de imprensa em seu país. Cuba, hoje, continua pobre e dependente da benevolência global.

No seu processo de governança, notabilizou-se com uma série de programas sociais e de acesso universal a saúde. A taxa de analfabetismo caiu drasticamente em sua gestão e o esporte tornou-se o alicerce da sua imagem política. Parceira da antiga União Soviética, Cuba isolou-se após sua fragmentação, dramatizando ainda mais a sua situação econômica. Hoje, o país caribenho é o símbolo maior de uma era utópica que já passou. Insistir nos velhos erros marxistas não levará mais o país ao progresso. Uma readaptação é necessária, agregando os programas assistenciais que deram certo – em seu governo – com a simplicidade de um sentimento igualitário presente em suas intenções de prosperidade.

Fidel foi um líder que emocionou aos mais jovens, especialmente com seu discurso de sociedade igualitária. Sobretudo, a sua morte não levará do país as práticas de desrespeito aos direitos humanos que ficarão eternamente marcadas na carne da população cubana. A herança que ele deixa pode ser contraditória, no entanto ele acreditava nas ideias que defendia tornando-o um homem verdadeiro. Ludibriado pela ganancia do poder político, seu ideal de sociedade fraterna fracassou. Sua morte marca o fim de um ciclo daquilo que conhecemos como arbitrariedade de boas intenções, porém irrisoriamente má conduzida.

Leonardo Patikowski,

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Não somos invisíveis, são vocês que nos tornam.

Digo com toda a convicção que estas paralimpíadas é uma das coisas mais lindas que eu já assisti. Embora, o evento decorra em nosso país, pouquíssimas são as emissoras que estão dando espaço nos principais meios de comunicação. Uma pena que isso esteja acontecendo em um país que se julga inclusivo. Também, é uma lastima que grande parcela da sociedade não esteja dando o merecido valor a este espetáculo. Hoje, 25% da população possuí algum tipo de deficiência. Somos ¼ de indivíduos que com destreza luta, diariamente, contra as intempéries de uma sociedade julgadora de princípios. Somos uma parcela de 45 milhões de pessoas que pela falta de atenção do estado, do empresariado, da mídia e, especialmente, da sociedade mostra silenciosamente que é quão igual quanto qualquer outro cidadão.

Enquanto, nas olimpíadas víamos lições de destreza, de moralidade, de espirito esportivo, narradas ao vivo a todo pulmão, hoje, sofremos o impacto cultural de uma sociedade verdadeiramente cega. O esporte é o maior ícone de igualdade e respeito entre os povos, assim como o símbolo maior de integração. Logo, os atletas paralimpícos não fazem parte desta integração por serem diferentes?

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Não quero desmerecer os movimentos LGBT, religiosos, feministas e raciais. Todos possuem como base a legitima luta em defesa dos seus interesses. Entretanto, todos dotam de algo em comum: um espaço defendido, seja ele por qualquer segmento da sociedade ou do estado. Nós, deficientes, nem isso possuímos. Qualquer integrante desses movimentos, embora sejam descriminados pela sociedade, possuem o mesmo tratamento pelo estado. Com o perdão da retrógrada, muito menos isso possuímos. Todos possuem voz na mídia. Nem dentro dela estamos. Acreditávamos que a paralimpíada traria um sentimento de mudança para este cenário, nos desse esta merecida visibilidade, mostrasse a nossa destreza, capacidade de quebrar as barreiras que a natureza nos impôs. Mas isso não bastou de uma utopia em meio de uma irrisória, e real, distopia anunciada por uma mídia que apenas é reflexo de uma sociedade que nós, deficientes, conhecemos quão bem. Sim, somos meros imperfeitos que são perfeitos. Que mesmo sem voz, continuamos a proclamar silenciosamente nossa luta por um espaço que nem mesmo nenhum segmento da sociedade quer reconhecer.

Tristemente somos julgados pela nossa imperfeição, condição, e não por nossas qualidades. Como é saber perder uma coisa que nunca perdeu? A sociedade não compreende o nosso sentimento e as nossas lutas. Conseguir um emprego sem entrar para um sistema de cotas já é considerado uma medalha de ouro para nós. A sociedade não sabe, e muito menos compreende, do que estamos falando. 

Esta pode ser uma mera crença comum, criada por uma pessoa nunca tratada como um deficiente, embora seja um. Contudo, sei, como ninguém, o que é ser excluído na educação física pelos coleguinhas de escola por não possuir atributos físicos para jogar futebol. Alguns dirão que somos frágeis como cristais, que precisamos ser preservados. Cansei de escutar isso na minha infância e também de ser mandado para a psicologa da escola, por julgarem que o problema era comigo. Ora, que bobagem. Quer dizer que o problema de ser excluído dos momentos de lazer era eu? Mas hoje, depois de adulto, encaro isso como crenças, sem qualquer base cientifica, criadas por pessoas normais, desconfortáveis perto de indivíduos com limitações. A sociedade quer me impor que sou uma pessoa limitada. Me impor a ela, jamais irei.

Hoje, volto a encarar isso, por uma mídia que desdenha não só a nossa luta, mas profissionais desta esfera que pedem passagem (me incluo, pois sou um comunicador social). Até quando a sociedade irá nos impôr, irá ditar as nossas rédeas? Temos voz e este desabafo é a prova minima desta busca de espaço. Não somos invisíveis, são vocês que nos tornam.

Leonardo Patikowski,

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Que Deus tenha piedade destas almas.

A fé é algo muito particular de cada um. Embora cada indivíduo tenha a sua própria forma de demonstra-la, cabe haver respeito mesmo que no outro lado exista um alguém contrário as nossas crenças. Quando o assunto se pontua em crenças o cuidado deve ser maior. Certa vez, me deparei com uma situação irrisória para os padrões que estou acostumado. Um certo dia, quando trabalhava para o administrativo fabril de uma empresa, atendi um colaborador. Na oportunidade um jovem, com seus pouco mais de 20 anos, da igreja das testemunhas de jeová veio até mim com toda delicadeza:

– Posso te fazer uma pergunta?
– Claro! – Respondi.
– Tu acredita em Deus?

Fiquei um pouco surpreso com a pergunta. Como bem falei, no início desta resenha, a fé é algo muito particular de cada um. Ela é a essência que nos faz guiar, no sentido de dar margem para a nossa existência.

– Possuo a minha própria forma de acreditar em algo maior.

O rapaz, sorridente começou a aprofundar o assunto:

– Pois então, sabe que ele é poderoso. Ele é capaz de tudo.

Assuntar sobre esse tipo de tema, especialmente em um ambiente fabril, me soava um pouco estranho. Não era comum esse tipo de dialogo para tal local. Entretanto, uma situação me deixou estapafúrdio. Algo que marcaria muito a minha vida:

– Acredite nele, com fé, que pode ter certeza que a sua mãozinha vai crescer. (Para quem não sabe, possuo uma má formação congênita na mão direita)

Sem reação alguma, em um misto de não saber se ria ou ficava mudo, após um longo silêncio respondi:

– Há muita coisa que a ciência explica.

Mas, para a minha surpresa, o rapaz continuou no assunto sem perceber meu profundo constrangimento:

– Acredite nele, pois é ele que tem o poder da salvação.

Não estou aqui para duvidar do poder divino, seja qual for ele. O que eu quero dizer é que somos facilmente influenciados pelos núcleos de convívio. Uma vez inseridos, mais nos tornamos uma extensão, parte, deles. Logo, a teoria mais absurda que tu possa ouvir pode ser uma verdade. Aqui eu chego em um contraponto: Até que ponto uma inverdade pode ser verdade? Este é um assunto complicado e ele vai muito da essência do quanto nós somos capazes de crê-la.

kqoodlExiste uma teoria da comunicação que aborda bem isso. O teórico comunicacional francês Guy Debord elaborou um conceito bastante difundido nas faculdades de comunicação do mundo. Ela se chama: “Sociedade do Espetáculo”. Ela surgiu, pela primeira vez, na década de 1960 e explica o quanto certas inverdades podem parecer uma verdade. A imagem, enxergada por esses núcleos de indivíduos, não possui margem para múltiplos entendimentos. Ela é condicionada a um único significado. Logo, há somente uma verdade absoluta que torna aquele símbolo um objeto único magnificando, cultuando-o, por meio da ilusão. Pode parecer complicado explicar e compreender a teoria, mas o que eu quero dizer é que estes tipos de indivíduos – que fique claro, não me refiro a todos os jeovás – não compreendem o mundo que o circundam, acondicionando-o suas ideias, exclusivamente, aos seus núcleos de convivência sem margem para as experiências externas. Neste universo, o senso comum prevalece. Aqui entra um pouco do conceito do “Mito da caverna” de Platão, mas daí estarei condicionando o assunto para o lado da filosofia que não é a minha proposta nesta resenha.

Este conceito de querer compreender somente a si mesmo, não admitindo chegar a outras conclusões, fazem de algumas religiões uma curiosa e cômica fonte para piadas estapafúrdias nos atuais meios. Não foi a única vez que isso me aconteceu. Tive, inclusive, mais de uma situação constrangedora com a mesma e pequena visão de mundo deles. Ser deficiente, não significa ser possuidor de uma malograda enfermidade, de uma praga, colocada pelo dito “coisa ruim”. A ciência explica muita coisa e crer em Deus não fara em nenhum momento a minha mão crescer forte e feliz. Acreditar em algo maior, para justificar as nossas crenças é uma coisa. Utiliza-las para uma patifaria constrangedora é outra. Que Deus tenha piedade destas pobres almas. Amém!

Leonardo R.,

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Que este legado seja infinito e dure para sempre.

No dia da abertura da Rio 2016 escrevi, no meu perfil do Facebook, que se conseguíssemos fazer uma olimpíada quão magnífica quanto aquele lindo espetáculo estaria acreditando que poderíamos fazer um país muito melhor. Este comentário causou polêmica entre amigos próximos que questionaram a minha “empolgação”. Entretanto, contrariando as previsões mais alarmantes, a nossa olimpíada foi muito além. Ela foi espetacular, icônica, de grandes imagens, e confirmou minha tese: O Brasil é um país que pode dar certo. O problema é que não sabemos usá-lo corretamente.

Esta intuição traduz a nossa passionalidade a respeito dos nossos sentimentos. O sofrimento esta no nosso sangue. Nos acompanha desde a formação do nosso caráter como nação. De repente por esses motivos nos tornamos receosos. Contudo, é preciso que nós, brasileiros, deixemos de lado este passado compadecido, escanteando este “complexo de vira-lata”, acreditando que podemos, sim, construir um país muito melhor.rtsl9pn-cropped Não podemos duvidar da nossa capacidade. Somos um povo criativo, dedicado que, quando se propõe a fazer, faz bem feito. Não podemos continuar a encontrar razões negativas, coisa ruim em tudo. Para que esta transformação aconteça ela deve começar por nós e este é o maior legado que as olimpíadas no Brasil podê nos deixar: Mostrar que o brasileiro, quando quer, faz acontecer. É por este motivo que os jogos foram especiais. Que o legado olímpico seja infinito e dure para sempre.

Leonardo Patikowski,

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O Uber e o velho ludismo contemporâneo

Segundo informações divulgadas pela Rádio Gaúcha, (13 de julho de 2016), um motorista do Uber foi agredido por taxistas na manhã desta quarta-feira no Aeroporto Internacional Salgado Filho de Porto Alegre. Seis pessoas estavam presentes na confusão. De acordo com as imagens do local, requisitadas pela Delegacia de Polícia Civil para Turistas, não é possível identificar quem começou o confronto, assim como da suposta utilização de arma branca denunciada por um dos motoristas do Uber. Desde a chegada do Uber – aplicativo móvel de transporte privado que oferece serviço semelhante ao táxi tradicional – discussões exacerbadas tomam conta das mesas de debate da opinião pública. A espessura do problema é tamanha que nos remete ao ludista do século XIX.

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Criado no século XIX, o ludismo foi um movimento conservador e opositor ao modernismo no meio industrial. Seu principal argumento era a mecanização do trabalho disposto pelo advento da Segunda Grande Revolução Industrial (1811). As reclamações contra o advento das máquinas e a sua substituição em relação à mão de obra humana era o principal debate do movimento. Formada, especialmente, por artesões o movimento exprimia o argumento que as máquinas usurpavam o espaço dos trabalhadores e tinha como pratica invadir industrias e destruir tais equipamentos.

Infelizmente, o mesmo e ultrarreacionário pensamento ludista continua presente na nossa sociedade contemporânea. O ludismo moderno exprime o argumento de que o novo vem para substituir os velhos e funcionais sistemas. Entretanto, cada vez mais a dita “nova economia” será informalizada. Como consequência, inevitávelmente, as relações de trabalho modificarão, a fim de se adaptar a esta nova realidade. Não há como evitar. É irracional pensar que alguém ainda queira nadar contra a maré (no velho jargão popular). A tecnologia está transformando o mundo e modernizando o velho capitalismo. Logo, a ciência vai modernizando e as pessoas vão se adaptando.

Esta é uma questão periódica, cítrica, o mundo vai se atualizando e determinados tipos de trabalho deixarão de existir. A datilografia é um exemplo disso. A evolução sempre visou facilitar, cada vez mais, a vida da sociedade e, queira ou não, o homem terá que se adaptar a isto. É sabido que o Uber se promove por meio da polemica, isto é fato. Entretanto, se opor à industrialização intensa ou a novas tecnologias, tendências, é manifestar os velhos e retrógrados pensamentos ludistas, mas de forma contemporânea.

Este é o tipo de debate que necessita acabar. Cabe ao poder público intervir para que não haja este tipo de conflito apressando-se, mesmo que de forma provisória, para acabar com esta quixotice ludista. Contudo, não observamos sensibilidade de tal parte minando e alimentando esta animosidade. Postergar o debate não resolverá nada. Enquanto isso, continuaremos presenciando este velho ludismo contemporâneo, até que ele próprio aceite se adaptar as novas formas de trabalho. A partir do momento que ele aceitar esta modernização, continuaremos presenciando conflitos desnecessários como o presenciado no Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre.

Leonardo Patikowski,

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